Vasco negocia venda da SAF a Marcos Lamacchia até abril de 2026

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Vasco negocia venda da SAF a Marcos Lamacchia até abril de 2026

As negociações que podem mudar o rumo do Vasco da Gama estão mais próximas do fim do que a torcida imagina. O clube carioca deve fechar a venda de sua Sociedade Anônima de Futebol (SAF) entre março e abril de 2026, com Pedrinho, presidente do Vasco sinalizando cautela, mas otimismo. A expectativa é que o acordo finalize no primeiro semestre do ano, embora o executivo prefira não cravar datas exatas em público. O que importa agora é o impacto imediato: o fim da incerteza financeira e a entrada de um novo investidor disposto a injetar recursos pesados no Gigante da Colina.

Quem é o novo investidor e por que isso importa

O nome que tem dominado as conversas nos bastidores é Marcos Faria Lamacchia. O empresário de 47 anos não é um desconhecido no cenário dos negócios, mas sua conexão com o futebol brasileiro ganha contornos interessantes. Filho de José Roberto Lamacchia, fundador do Banco Crefisa, e enteado de Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras, ele traz uma bagagem que mistura capital com experiência em gestão esportiva. A proposta inicial, veiculada no segundo semestre de 2025, previa um aporte de R$ 2 bilhões. Esse valor não é apenas um número bonito; é a chave para desatar os nós financeiros que prendem o Vasco há anos.

A estratégia do grupo Lamacchia já está em movimento. Representantes do empresário iniciaram contatos formais com a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). O objetivo é alinhar o modelo societário às exigências do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). Basicamente, querem evitar surpresas desagradáveis na hora de assinar o contrato. A ideia é garantir que o clube opere dentro das regras de fair play financeiro, algo crucial para a saúde a longo prazo do projeto.

O fantasma da 777 Partners e a estrutura acionária

Para entender a complexidade, precisamos voltar um pouco no tempo. O contexto remonta a 2024, quando o Vasco travou uma guerra judicial contra a 777 Partners. A empresa norte-americana, que detinha parte das ações, passou por graves crises financeiras, forçando o clube a retomar o controle associativo no primeiro semestre de 2025. Hoje, a divisão da SAF é um quebra-cabeça delicado:

  • 30% pertencem ao Vasco (na condição de associação);
  • 31% estão com a 777 Partners, adquiridos em aportes desde 2022;
  • 39% estão em disputa na arbitragem, exigindo decisão judicial favorável para serem vendidos.

Essa parcela de 39% é o calcanhar de Aquiles da operação. Sem resolver essa pendência jurídica, a venda não se concretiza. A recuperação judicial do Vasco foi homologada em 21 de março de 2026, mas o clube ainda enfrenta dificuldades para manter o fluxo de caixa. Provavelmente, o time precisará recorrer a um novo empréstimo DIP no início do próximo ano, o que reforça a urgência da venda da SAF. A tendência é que o clube busque o Crefisa mais uma vez para este financiamento, aproveitando a relação já estabelecida.

O que esperar para o futuro do clube

O investimento de R$ 2 bilhões não será gasto em apenas um lugar. O plano de Lamacchia envolve a melhoria do elenco, a conclusão da reforma do estádio São Januário e a quitação de dívidas tributárias. Pedrinho, que tem mandato até o fim de 2026, ainda não definiu se buscará a reeleição, mas deixa claro que a estrutura contratual precisa estar segura. "A gente está em uma etapa muito importante. Não posso dar data, mas está em um caminho interessante", disse o presidente após o sorteio da Copa do BrasilBrasília.

Ainda há incógnitas. A aprovação pelos conselhos internos do clube e a resolução das pendências jurídicas são etapas obrigatórias. O clima interno, no entanto, é de otimismo moderado. A venda da SAF é vista como o componente essencial para viabilizar o plano de desenvolvimento institucional. Se o acordo for fechado, o Vasco poderá finalmente respirar um ar mais limpo, focando no futebol e na recuperação patrimonial do seu templo, o São Januário.

Perguntas Frequentes

Quando a venda da SAF será finalizada?

A expectativa é que a operação seja concluída entre março e abril de 2026. O presidente Pedrinho confirmou que o processo está em andamento, mas evita dar datas exatas para garantir a segurança jurídica do acordo.

Quanto Marcos Lamacchia pretende investir no Vasco?

A proposta inicial prevê um aporte de R$ 2 bilhões. Esse recurso será utilizado para fortalecer o elenco, reformar o estádio São Januário e quitar dívidas históricas do clube, além de cobrir custos operacionais.

Qual é a situação das ações da 777 Partners?

A 777 Partners detém 31% da SAF, mas 39% adicionais estão em disputa na arbitragem. A resolução desse impasse jurídico é fundamental para que a venda da SAF possa ser concretizada sem riscos futuros.

O Vasco continuará no modelo associativo?

Sim, a venda da SAF não altera o modelo associativo do clube. O Vasco (associação) manterá 30% das ações, enquanto o novo investidor assumirá a gestão da SAF, garantindo sustentabilidade financeira.

Qual o papel da ANRESF nessa negociação?

A ANRESF regula o Sistema de Sustentabilidade Financeira. O grupo Lamacchia já iniciou contatos para alinhar o modelo societário às regras de fair play financeiro, evitando surpresas na aprovação final da venda.